Não recolhas as penas dos pedaços que partiste, guarda apenas os momentos em que sorriste, e as horas em que amaste. O tempo se encarrega de te dar um novo céu, onde novos sonhos florescem entre o olhar teu e as lágrimas que derramaste..
Dentro de mim ausências e dores De infinita solidão Contornos de palavras que não proferi Talvez o tempo seja essa imensa ilusão De guardar tantos nadas dentro de mim... Trago a voz embargada de silêncio E na mente vozes que me convidam À loucura desmedida e abstracta De abutres que a sanidade me debicam.... Ando nauseabunda em apática sinfonia Talvez siga esta chuva enlameada e fria Aos pés que se arrastam pela estrada... Ando em desencontros de alma sombria As raízes presas à vulgar monotonia De tanto que fui traduzido em nada.... (Em memória de tantos que partem sem conseguirem exorcizar as vozes que os condenam ao fim)...
Procurei no pó da estrada os teus traços Na vertigem dos abraços Que o tempo despiu de mim... E nas dobras da pele escondem-se histórias As derrotas e as vitórias De um etéreo jardim... O coração não delega no tempo A memória ao desalento De uma campa rasa, feita só de chão. São páginas sopradas ao vento No relógio do Esquecimento Que sucumbiu à razão.
Meu querido anjo, meu fiel amigo Foste entre agruras o meu doce abrigo O olhar atento a refazer-me o chão... Sabias de cor o meu ser em defeito E tu eras para mim o ser mais perfeito Que eu abrigava serena em meu coração... Partiste, e no rosto banhado a lágrimas Escrevo na escuridão destas páginas Onde sou fantasma de tantas luas... E num lamentar sangrento e imperfeito Na negra dor plantada no meu peito, Só moram, em desalento, saudades tuas....
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