Incrustado no corpo um novo amanhecer, o presságio de um sonho que no real se tange, entre o sorriso que floresce a pele e os segredos tatuados na alma....
Meu corpo é uma casa de horrores em alheias soalhadas são lágrimas tecidas em multicores em raízes de silêncio empedradas. Meu corpo é morte e desalento chama que lavra como cinza meu corpo é sopro vulcânico do vento aninhado no deserto dessa brisa. Meu corpo é um túmulo deserto pedaço de loucura, vulto incerto nos braços da tua dor Meu corpo é veste de utopia torre de babel, parca poesia dentes na jugular do teu amor.
Dentro de mim ausências e dores De infinita solidão Contornos de palavras que não proferi Talvez o tempo seja essa imensa ilusão De guardar tantos nadas dentro de mim... Trago a voz embargada de silêncio E na mente vozes que me convidam À loucura desmedida e abstracta De abutres que a sanidade me debicam.... Ando nauseabunda em apática sinfonia Talvez siga esta chuva enlameada e fria Aos pés que se arrastam pela estrada... Ando em desencontros de alma sombria As raízes presas à vulgar monotonia De tanto que fui traduzido em nada.... (Em memória de tantos que partem sem conseguirem exorcizar as vozes que os condenam ao fim)...
Já estão estanques as lágrimas da minha dor o rufar estridente dos trovões no meu peito a memória inacabada, o ser desfeito entre as penumbras de um silêncio autor. Já se silenciaram as gárgulas sedentas os guinchos empedernidos das gaivotas a voz em retrocessos de contravoltas as pedras das fachadas já cinzentas voltou-se o tempo ao seu inverso ao tempo só meu em gerência casta à infâmia de um ponteiro imperfeito voltou-se o poema à rima sem verso à involuntária morte parcialmente gasta deitada em saudades no meu peito.
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