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Horas vãs

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  Já estão estanques as lágrimas da minha dor o rufar estridente dos trovões no meu peito a memória inacabada, o ser desfeito entre as penumbras de um silêncio autor. Já se silenciaram as gárgulas sedentas os guinchos empedernidos das gaivotas a voz em retrocessos de contravoltas as pedras das fachadas já cinzentas voltou-se o tempo ao seu inverso ao tempo só meu em gerência casta à infâmia de um ponteiro imperfeito voltou-se o poema à rima sem verso à involuntária morte parcialmente gasta deitada em saudades no meu peito.

Silêncio...

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  Percorro sozinha o caminho das lágrimas De um velho fantasma em hibernação Sou caos sedento de sangue e mágoas Alma revolta em trágica solidão .... Exaltado vazio a transbordar os poros Transcreve na pele o sibilar da dor... E o esvoaçante grito engoliu o choro Renegando ao corpo o sentido maior.... Silêncio.... Recozido na boca sedenta de palavras.... Sou vulto noturno deambulando pelas estradas... E entre as mãos estigmatizadas Carrego, sem abandono, a cruz....

Não vou só...

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  Trago na alma o travo de um beijo Numa saudade mortal... A volúpia matou o desejo Num impulso vil, animal.... Trago a alma presa no peito Escrava desta solidão Entre lágrimas cravadas no leito Verte em sangue o coração... Não vou só, levo o céu Entre a dor desse amor que em mim morreu.... Não vou só, deixo o chão Sem sentidos, os gemidos Das tábuas deste caixão....

Luto

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Leva-me em esquecimento a estrada da solidão O rio de lágrimas Que inunda o peito aberto Longe de mim o oásis e o deserto O golpe incerto de um caminho de lâminas Que golpeia em mentiras o coração ... Vulto clandestino entre as sombras do passado jaz o corpo ressequido, abandonado Memória de vida no seu fiel reduto... Serei de mim, duro carrasco amanhecido E no meu ser costurado e recozido As nefastas cicatrizes do meu próprio luto...

Vultos de mim...

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  Sou prisioneira de uma solidão invisível Mascarada por fora dos meus contornos E ninguém vê a dor silenciosa e triste A não ser estes meus velhos olhos Cansada de um tempo que de mim desiste Sou alma camuflada de um amor forjado De um outro ser que já não insiste Em abraçar o corpo, que não é amado Sou história escondida sem ser decifrada Transparência altiva de alma calada Que no passar do tempo se cansou de mim... E no corpo jaz, senil, agrilhoada Leda de esperança, em si desgraçada Em imperativos do seu próprio fim...

Prisioneiros

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  Somos prisioneiros de uma voz antiga Uma mente dormente em moralidades subjugada.... Somos do regime a perfeita cadência De uma voz que já nasce, por si, amordaçada.... Somos a sequiosa multidão entre abutres Chupando os ossos da pútrida carne Somos os corpos em si devolutos Encarcerados sem qualquer alarde... Escorre lama e sangue entre as pedras da rua A coragem já gasta de uma alma nua Mantida a mentiras com sabor de verdade É hora da ousadia se fazer premente De arrancar os grilhões da mente E gerar no ventre a nossa liberdade.....