Entre nadas...

Desceu a rua entre dois passeios paralelos à sua própria e sombria alma. Nada lhe restava dizer, a não ser o eco mudo nas suas entranhas, remoendo a luz fronteiriça das persianas do olhar. Nada, reflectiu. Nada que pudesse ser tão absurdo como pescar pássaros à sombra de uma nuvem. Nada que pudesse dilatar o âmago dessa loucura em vias de expansão. Nada a não ser a repulsa no olhar alheio, espreitando entre frechas do seu próprio corpo, emoldurado a nu.